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11 de Abril, 2019
Mude de dieta, por si e pelo planeta
Multifood
11 de Abril, 2019
Mude de dieta, por si e pelo planeta

Especialistas defendem que, para uma dieta-padrão saudável para nós e para o planeta, 35% das calorias têm de ser provenientes de grãos integrais e tubérculos, as plantas têm de ser a principal origem da proteína; devemos comer apenas cerca de 14 gramas de carne vermelha por dia e aumentar o consumo de vegetais e frutas para 500 gramas diários. Um padrão bem distante da nossa alimentação atual.

“A transformação para dietas saudáveis até 2050 vai exigir mudanças substanciais na dieta. O consumo geral de frutas, vegetais, nozes e legumes terá que duplicar, e o consumo de alimentos como carne vermelha e açúcar terá que ser reduzido em mais de 50%. Uma dieta rica em alimentos à base de plantas e com menos alimentos de origem animal confere benefícios à saúde e ao meio ambiente” defende o Professor Walter Willet da Faculdade de Serviço Público de Harvard. A sua tese é defendida no relatório da Comissão EAT, publicado na revista científica Lancet . O alerta é claro: ou mudamos urgentemente de atitude ou o planeta não conseguirá alimentar o número de bocas que não pára de crescer. Em 2050 a população mundial terá ultrapassado dos atuais 7, 5 mil milhões para mais de 10 mil milhões de habitantes.

Este estudo demostra ainda que uma mudança nos hábitos alimentares da humanidade só fará bem à nossa saúde. Calcula-se que esta mudança evite a morte prematura de 11 milhões de pessoas todos os anos e reduza drasticamente as facturas relacionadas com a saúde. É verdade que o aumento da produção alimentar, nos últimos 50 anos, contribuiu para o aumento da esperança de vida, e para a redução da fome, da mortalidade infantil e da pobreza global. Contudo, atualmente, a humanidade está a desviar-se para dietas pouco saudáveis, altas em calorias, açucares, amidos refinados e excesso de carne, e baixo teor de frutas, legumes, grãos integrais, frutos secos, sementes e peixe. Além disso, a disparidade no acesso a uma dieta saudável nunca foi tão grande.

Por exemplo, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes mais carne do que o recomendado, enquanto no sul da Ásia se come metade do que era suposto. Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido, como a batata e a mandioca, do que o recomendado, 1,5 vezes mais no sul da Ásia ou 7,5 vezes mais na África subsaariana.

Segundo os 37 especialistas de 16 países que trabalharam, durante três anos, na elaboração do modelo de dieta sustentável da EAT, só uma mudança drástica poderá garantir um sistema alimentar mundial que não ponha em causa os limites do planeta na produção de alimentos, tendo em conta as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o uso da terra e da água e o ciclo dos nutrientes. E essa mudança, segundo o documento, é “urgentemente necessária”, já que mais de três mil milhões de pessoas sofrem de desnutrição e a produção de alimentos está a exceder a capacidade do planeta, impulsionando as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o aumento da poluição pelo uso excessivo de fertilizantes. “As dietas atuais estão a levar a Terra além dos seus limites ao mesmo tempo que causam problemas de saúde. Tal coloca ambos, pessoas e planeta, em risco”, alerta o relatório, obviamente contestado pelos adeptos de Donald Trump.

Entre as medidas capazes de potenciar esta mudança, o relatório aponta políticas que levem as pessoas a escolher dietas saudáveis, restrições na publicidade e campanhas de educação. Além disso, os preços dos alimentos devem refletir os custos de produção, mas também os custos ambientais, pelo que pode haver aumento dos custos para consumidores, podendo ser necessárias políticas de proteção social. E o desperdício alimentar deve ser reduzido pelo menos a metade. Notam os responsáveis que, esse desperdício acontece em países pobres durante a produção, devido a mau planeamento, falta de acesso a mercados e falta de estruturas de armazenamento e processamento. Nos países ricos o desperdício é causado sobretudo pelos consumidores e pode ser resolvido com campanhas que melhorem hábitos de compra, o entendimento dos rótulos, e o armazenamento, preparação, proporções e uso de sobras.

Dada a validae do estudo e a pertinência de toda esta mudança, vale a pena conhecer este o Relatório da Eat, traduzido em português.

Fotografia: www.eatforum.org

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